Como sorrir diante de olhos que hoje perderam o brilho? É a vida que se esvai.
A vida se vai, num pulsar lento, é como se um dia tivesse 365 horas.
Tento encontrar o espírito que habita o corpo, mas ele se escondeu atrás de medicamentos, necessários, são alívio para as dores do corpo flácido.
Quero tanto, suplico para ver o sorriso muitas vezes compartilhado nas várias brincadeiras dos anos de um passado.
A mesma boca esta aí, antes salivava pelos sabores variados.
Hoje, se retorce, saudosa das delícias alternadas entre o doce e o sal. Ah, não posso esquecer... a sua paixão, um gole de cerveja gelada.
As mãos bem tratadas, descansam sobre almofadas, ansiosas por acenarem, num gesto de amor.
Num estica e encolhe mental, continuam inertes.
Enquanto as pernas, que sempre buscaram o movimento da dança, são tocadas pelos mesmos anseios do esticar e encolher, parecem figuras de um brincadeira de "estátua".
Não posso sorrir, meu ser se fragmenta entre sentimentos variados.
Entender..., é certo, podemos escolher nosso caminho para o aperfeiçoamento espiritual.
Condenar..., o sofrimento daquela vida foi o causador da doença. Nossa mente produz efeitos de acordo com as aflições, mágoas e o perdão mal resolvidos.
Mas...
Deus, onde esta a solução para este dia tão longo?
Esperança..., acredito em milagres, podem e acontecem a cada instante. Vou manter a chama deste sentimento, não vou chorar, não vou gritar, prometi que manteria o equilíbrio de quem busca a serenidade.
Só me restam as palavras, sem destino, pois a menina, mulher e amiga visualiza outra dimensão, e posso sentir que além desses olhos o espírito já faz a dança de uma outra vida.
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