terça-feira, 15 de junho de 2021

Gestos de amor - todo dia é das crianças

 Os gestos de amor me encantam, me fazem sobrevoar sobre as palavras, garimpar na correnteza dos verbos, saltitar sobre as exclamações e interrogações, enfim, escolho-as pelas combinações mais doces, aquelas inspiradoras dos melhores sentimentos e ..., não resisto.  Traço, contorno e ao final caem numa página, como se meu coração se derretesse.

Sou poeta? - Não…

Sou o esticar e o espichar da vida pulsando emoções.

Sigo como numa missão consciente, tentando aprender, mas poeta é coisa que não sou.

A sensibilidade para descobrir uma palavra, uma sentença cheia de exclamações para eternizar um dia feliz deve ser para os verdadeiros poetas, aqueles que deixaram suas emoções percorrerem os oceanos  do tempo.  

Hoje eu digo, foi um perfeito por do sol em um céu pintado por Deus,  senti saudades da criança que fui, sim, mas só no tamanho e idade cronológica. 

Vou contar um segredo, dentro, bem disfarçada,  ela permanece,  fazendo suas travessuras e rindo gostoso quando surpreendida pela graça expontânea de algum fato. 

Dormi super bem, acordei  com a comemoração do “Dia das Crianças”. Nunca havia referência ao “dia das crianças” em nossa casa. Só soube deste dia especial quando já estava casada e tive minhas filhas.

 Adorava esta festa, sempre arranjei um jeito de fazê-la o mais  movimentada possível. 

Ser mãe me fez focar na força infantil, algo que os jovens nem ligam, pois continuamos inconscientemente crianças até nos depararmos com as responsabilidades de criar uma, formada e saída de nosso ventre. 

Demorei a virar uma adulta neste quesito, pois queria brincar, mesmo quando cumpria com os rituais de cuidar da Luciana, nossa primogênita.

Do meu jeito, quase infantil, deu certo, e me presentearam com a Letícia e a Larissa, agora sim, éramos um bando de meninas. 

Travessuras não faltaram e o dia a dia era uma maratona, correria para vencer as tarefas domésticas e fazer sobrar um tempinho para BRINCAR! O melhor da vida ficou nos jardins e salas de tantas paredes que nos acolheram como lar. 

By Lina

domingo, 13 de junho de 2021


 RECONSTRUÇÃO DE UM TEMPO

Acordar bem cedinho, perder o sono, sem motivo algum, mas aproveitar o nascer do sol; uma transformação cotidiana que nos revela a maravilhosa possibilidade de sair da escuridão para a luz, um fenômeno comum para a natureza e difícil para a humanidade. 

Se encontrarmos o nosso sol interior, imitarmos o movimento do planeta, quem sabe teremos a mesma força a nos impulsionar, abandonaríamos as sombras de pensamentos tristes e sombrios instalados em nosso coração para alcançar a luz desse sol interior, iluminando mais um dia de nosso existir com mais otimismo, mais alegria e por consequência maior conhecimento das nossas paisagens e talentos.

by Lina Schroeder

BOM DIA, ...

que um sol acompanhe o caminho a percorrer neste dia 13 de junho de 2020.

Bjs

domingo, 28 de fevereiro de 2021

 ANTENADOS OU ALGEMADOS?

Tenho um amigo espirituoso e engraçado, contador de piadas, com uma memória invejável para os detalhes de cada uma delas, um talento único para dar a cada uma o tom necessário, encantando a plateia e alimentando-nos com alegria pelo raciocínio rápido e espontâneo. As suas piadas, mesmo repetidas fazem sucesso.

Quando ele aparece poucos ficam os aquela “cara de parede”, sem quadros. Sua presença é garantia de movimento facial em sorrisos que se transformam em boas gargalhadas e brilho nos olhos.

Somos uma turma de terceira idade, mas antenados nas novidades, cada um tempo seu celular, internet e somos capazes de incluir, em nosso cotidiano, as mídias da atualidade. Temos Facebook, WhatsApp, Twitter, etc...

Somos veteranos que participam e adquirem os NOVO BRINQUEDOS CIBERNÉTICOS.

Apreciamos nossos encontros de casais, anualmente. Os homens tem um grupo, chamado de “confraria do vinho”, cuja reunião acontece semanalmente, comem, bebem e jogam conversa fora com a finalidade de desabafar sobre os problemas da politica, no Brasil as divulgações da imprensa dão motivo de sobra para discordâncias e desabafos. Enfim fofocam e contam as novas piadas aprendidas aqui e acolá.

Algo me surpreendeu, a maioria depositou o celular ao lado dos talheres. Antenados demais! Mantinham o celular ao alcance imediato dos olhos. Enquanto conversávamos seus olhares desviavam curiosos para a tela que os provocava mostrando as mensagens recebidas.

Conversa vai, conversa vem, pedidos realizados, comida saborosa, vinho excepcional, conversa fluindo com a alegria  do reencontro dos casais, após um ano sem reunião e alguém teve a iniciativa de fazer uma foto para registar evento. Clics, clics e mais clics começaram a pipocar de vários celulares, cada fotos compartilhada com envios simultâneos sucederam um após o outro, quando alguém diz... - quero ver, outro... - apaga essa!

Por Deus, estávamos lado a lado, para que enviar se podíamos nos olhar,  nos olhos uns dos outros e sentir a alegria da presença?

Conversas cruzadas e meu amigo resolveu contar uma piada, muito engraçada, rimos até gargalhar; alguém diz: - vamos conta outra, mesmo velha (já conhecida); afinal sempre é possível recriar, trocar os personagens e atualizar os assuntos das velhas piadas.

Ele pegou o celular, tentando encontrar alguma nova piada para nos alegrar. Com este gesto ele acabou dando a deixa para que os outros pegassem o próprio celular, buscando vídeos, textos e piadas. Foi um tal de mostra vídeo, leitura de textos e a piada do meu amigo se perdeu para uma competição de memória virtual, coisas que a maioria já havia recebido, rindo solitários na própria telinha.

Meu amigo e sua forma espontânea de nos divertir “perdeu o rebolado”, pois ler uma piada é algo que desvirtua o senso do humor de quem ouve.

Nossa noite terminou como um vídeo que se vê e se esquece, mas sem o registro de memória emocional e natural ao bem viver. Quem sabe para o próximo encontro tenhamos abandonado esta forma doida de relacionamento, quem sabe para o próximo encontro tenhamos tirado as algemas que nos prendem aos celulares e voltemos a nos olhar como pessoas libertas de tantas mídias que nos abduzem para o PAÍS DAS NUVENS!

Texto escrito em 28/02/2015 por Lina Schroeder 

PS - Depois desse encontro, tivemos dois outros sem que os celulares participassem.

Hoje 28/02/2021 seis anos após, o que vejo? Rsrsr, nos tornamos mais dependentes do celular, estamos algemados para o bem e para o mal. Com a pandemia desde fevereiro de 2020, o que nos salvou foi esta ferramenta, nos mantendo em contato e encontrando o alento do carinho fraternal do grupo.