sábado, 3 de setembro de 2011

Desculpa!

Sempre a discussão e a famosa frase :-"Me desculpa?"
Não quero mais desculpar, quero viver sem discussão, quero a compreensão dos meus próprios valores, estou em pânico!
No primeiros anos de sua vida tive a sensação de uma responsabilidade extrema, agi como  mãe super dotada em todas as situações que apareciam, assim deixei para "pensar depois" nos meus talentos  dedicando-lhe o tempo integral. Foram inúmeras as suas necessidades, das mais básicas às mais sutís, como contar mil vezes a história preferida ou cantar os versos delicados enquanto o sono não chegava. Ali estavam as bochechas rosadas emoldurando olhinhos curiosos que insistiam em ficar atentos. Carinhos e afagos suplicantes quando o termómetro insistia em mostrar que alguma doença estava querendo roubar-lhe a tranquilidade, lá estava, com a nossa maior munição, o amor materno, incondicional, envolvendo e derrubando o inimigo e de repente como uma magia a febre cedia, eu a tinha de volta, tagarelando e agitando nas brincadeiras.
Minha criança, a filha amada!
Aprendi a ouvir de minha mãe: "Ser mãe é padecer no paraíso", maravilhoso paraíso, com direito a alegria permanente, até que a primeira resposta mal educada soca  em meus ouvidos, alertando: você cresceu é uma adolescente.
O que me resta é a responsabilidade de encaminhar, acompanhar e ver surgir valores  desconhecidos, estou por fora do seu mundo. Tento compreender as novas informações, as novidades, do mundo de quem precisa crescer para a maturidade, e isso é normal.
Viajamos juntas, só que sou uma carona, viajo pelo lado de fora, agarrada, com medo de perder o meu tesouro. Trocas de valores são feitas, agora o seu ídolo e mestre é o líder da banda de rock, um sucesso, aquele mesmo que usa argolas penduradas em lugares estranhos, tem tatuagens, mas o som, que som!
 O relógio só serve para combinar com a roupa, escolhida por musas de filmes lançados na semana passada.
Me olha bem e diz: -Puts... mãe, seu visual  esta "old, very old", dá vergonha quando vem me buscar, você ainda usa roupas do século passado!
Nesta atmosfera de concessões, começo a perder o controle, permitindo que as novidades determinem um comportamento de pouco caso, tolerando os comentários para não brigar, brigar e brigar, e acontece o inevitável, perco o foco, me torno as vezes agressiva, revido.
Ela me vê como a sombra que persegue, não lhe dou espaço e pareço poluir o universo adolescente pelo simples fato de existir.
Eu não existo! Coragem! Terei que sobreviver, seguir em frente e que Deus me ajude!
Nada me impede de jogar a toalha, muitas vezes pensei em desistir de martirizar minha mente com estratégias para rever a criança, com olhos inocentes que embalei em meu colo, talvez essa seja a razão pela qual  percorro o caminho do amor materno. Em meu coração a certeza de que plantei uma boa semente e terei a flor mais bela do mundo.
A cura  acontece e o tempo fez surgir a mulher adulta, imperando num mundo fragmentado pela insegurança e eu, aquela que atrapalhava a jovem adolescente, sonho em ter a meu lado uma amiga, uma parceira. tudo que podia ensinei, espero ... espero... e, uma desconhecida irrompe a minha frente, rasgando meus sentimentos, me culpando por seus desengano e suas frustrações.
Onde o erro?
Onde o tesouro que estava em meus braços?
Que vertigem obscurece o meu mundo afastando a alegria de ter educado uma filha?
Aprendi a seguir em frente e num respirar fundo e constante, converso com os  mesmos Anjos que a trouxeram para meus braços e meu pedido único e suplicante que ela seja feliz.

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