terça-feira, 11 de outubro de 2011

O caminho da maturidade.

Cada vez mais fico entulhada de assuntos e lembranças desconectada com a proposta do nosso mundo atual.
Penso ter um acervo de lembranças felizes: os acontecimentos, pessoas, atividades e amores. Tudo passou e na saudade meu prisma é de tristeza, pois gostaria de reviver aqueles momentos para sempre.

No espicha e encolhe das lembranças, me sinto incapacitada para refazer o roteiro da felicidade. Minha percepção do mundo esta diferente ou eu mudei? Claro que sofri as consequências de uma vida inteira de atividades múltiplas e agora busco o caminho de volta, mas estou sem rota.

Ouço sempre: vida é para a frente!

Busco recolher os fragmentos de um tempo, eu sei, na verdade estou desperdiçando minha energia. Necessito me despedir do que fui e continuar alinhando o pensamento apenas nas melhores lembranças.

Naquele tempo, lá atrás no curso médio, quando fui escolhida pela turma como a escritora favorita do jornal da escola, sabia perceber o que os colegas apreciavam ler.  Espremia o meu cérebro para compor um poema ou mesmo uma crônica, agulhando com perspicácia assuntos que despertavam a consciência dos colegas, ansiosos pela chance de expressarem livremente.

Hoje, sinto dificuldade em associar idéias até mesmo para escrever um memorando curtinho. Onde ficou a escritora promissora, a futura jornalista? Mudou de galáxia, ou escondida no escuro da alma, com saudade de si mesma, ressentida e com vergonha por ter deixado que o talento se perdesse no tempo.

Vai por ai uma lista de talentos abandonados, sim existiam muitos outros, e isso é o que causa um saudosismos inquietante, com gosto amargo, envenenando o presente confundindo a imagem refletida no espelho.

Aprender a despedir,... de quem e do que?

Penso:

"O fato de ter na memória o próprio potencial nos capacita a reviver de uma outra forma. Nossos talentos são conquistas pessoais e instransferíveis."

Respiro fundo, abro o baú do tempo e retiro a jovem talentosa e sem compromissos, cheia de poesia em sua alma, assumo o feito! Sem ressentimentos ou vergonha permito que as palavras se derramem sobre o papel.

Me despeço da jovem fantasma e sem medo encaro o espelho do tempo e o que vejo é uma amiga, que ensinou-me e liberdade de pensar, o encontro com o impossível desafio aos preconceitos. Assim, consciente de ter dominado a arte de ser livre, continuarei pela vida!

Novamente  respiro fundo e buscarei reescrever os antigos poemas, sem medo de ser criticada, escreverei com o meu coração pois é assim que me reconheço!

Aprendo a me despedir. Aqui dentro tem um ser espiritual, eternizando a juventude, capaz de ir por outra rota: o caminho da maturidade.

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