22/12/23
outra insônia às 5:00 h.
Relato de um fato acontecido na Visinhança.
Cap. 1
Dona, tem um “trocado”?
Não, hoje não tenho nenhum dinheiro, comigo.
Sai da cadeia ontem, é preciso tomar uma pinga, gosto mesmo é de beber, não vou te roubar, não se assuste.
Assim naquela tarde, encontrar aquele homem no meio da rua, surgindo não sei de onde, sem camisa, carregando um saco de preto nas costas, me assustou mesmo…., estava abrindo o portão, carro no meio da calçada, entrando em casa, portão escancarado. Claro que me assustei!
Cap. 2
Quero te contar um caso, você tem um tempo?
Como assim, um tempo? Você ouviu a mensagem que mandei no Whatzzap.
Mensagem, não. Estou te ligando porque preciso falar com alguém, estou em pânico, por Deus, ainda tenho voz.
Cap. 3
Que bom te encontrar, não liguei mais, estou sem telefone fixo.
Como assim?
Faz uma semana ficou mudo, reclamei com a companhia telefônica e nada, demorou tanto e ele não retornava à funcionar, depois de muita briga, envolvendo a ANATEL. Perdi a paciência! Cancelei a assinatura. Agora só no celular.
Cap. 4
Ele não me roubou, roubou o cabo telefônico do poste e assim conseguiu o trocado para a pinga. Por isso estou MUDA!
Cap. Final
Dona, me dá um trocado.
Não tenho trocado.
Tento fechar o vidro do carro, mas só vi um braço esticando na minha frente, por cima do volante, reconheço uma voz dizendo alto.
Que pena, eu lembro da senhora, mora na rua perto da igreja. Não roubei a sua casa, lembro, mas agora preciso mesmo de “um troco” para a pinga.
Pegou minha bolsa, meu celular e meus documentos, tudo, chave do portão e da casa.
Estou APAVORADA, vai voltar e me matar, tenho certeza, porque dentro da bolsa,
NÃO TINHA NENHUM TROCADO!!!
O que virá depois?
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