Tudo começou com a renovação das plantas em uma
jardineira na minha varanda. Fui ao CEASA, escolhi mudas de gerânios e azaleias.
Trabalhei duro, removendo a terra, adubando e criando condições favoráveis para
ver as flores surgindo e me alegrando com a beleza e cores. Após uma semana
percebi que uma planta, uma única muda de azaleia estava morrendo. Que
decepção, galhos secos e folhas retorcidas. As outras continuavam lutando para
se adaptarem ao novo solo.
Meu esposo já disse:- arranca, coloca outra, esta é perdida.
Teimosa, continuei a regar todos os dias e a conversar
com a dita. -Você esta com preguiça de se adaptar, dá trabalho, tem que fazer
um esforço, vai lá, tente...
Para minha surpresa e alegria começou a aparecer umas
folhinhas tímidas na extremidade do caule.
Este fato me fez pensar, se podemos ter para as
plantas com novo olhar, porque não podemos fazer o mesmo com as pessoas? Iniciei
um novo exercício com as pessoas e isto tem me deixado mais feliz.
Consiste em pensar com firmeza:
-Me surpreenda, você não é o antipático que se mostra,
permita-me te encontrar, mostre-me o lado mais humano de sua essência.
Tem dado certo, desde então, tudo bem, pode até não
acontecer com todas as pessoas, mas meus dias estão melhores e eu os termino com uma
sensação de ter vivido cada encontro, interagindo benevolente com aquele que esta na minha
frente, revigorando os conceitos e abandonando preconceitos enferrujados que antecederam ao
contato.
Cada fase da vida deve ser dedicada a experimentar a
lição aprendida.
Texto da Clarisse Correia, um pouco de poesia, nada demais:
“Descubra seus versos, seus gestos e seus restos”.
Dê
mais espaço para as reticências, elas precisam de ar.
Ceda o
lugar para suas interrogações.
Não
perca a coragem, o brilho no olhar, a vontade de modificar o que pode e deve
ser trocado de lugar.
Não
culpe o mundo, não culpe os outros pelo que te pertence.
“E aprenda: nada mudará, se você não mudar o seu olhar”.
Nossa visão, o nosso olhar sobre o mundo é uma janela
por onde observamos coisas, pessoas e experiências. Cada sentimento cria em nós
formas de pensamento, com esse prisma conceituamos os bens matérias e os irmãos
de caminhada. Os comportamentos como BEM e MAL, criaram em nós conceitos e preconceitos
próprios, e a partir disso estabelecemos regras e nos negamos permitir mudanças.
Na sociedade como na vida particular nosso EGO acentua
cada vez mais esta estreiteza de foco. Desde criança aprendemos que indivíduos
fora dos padrões estabelecidos pelo nosso círculo de convivência são
inconvenientes. Não os queremos por
perto! Ouvimos desde a mais tenra infância o ditado:
“-Diga-me com quem andas que te direi quem és”.
Este
dito popular nos fixa num molde de pensamento sobre os diferentes de nós.
Claro, tem um fundo de sabedoria e queriam nos proteger falando desta maneira,
mas quando as experiências nos amadurecem, mudamos assim como aqueles
considerados “os diferentes”, também mudam. Devemos nos liberar das amarras,
nos tornamos indivíduos e cada qual tem o seu modo de ser, devemos acreditar
que enquanto as experiências nos revelavam a sabedoria, também os considerados
diferentes estavam no seu próprio processo de crescimento e as mudanças
acresciam neles o saber e lhes davam um novo perfil, novas atitudes e porque não,
a necessária transformação.
Foi o filósofo existencialista Sartre quem, em meados do século XX,
disse que as emoções
mudam a qualidade com que vivemos e transformam o nosso olhar
sobre a existência. Se estivermos tristes veremos o mundo sob um manto mais
cinzento do que se estivermos alegres.
Pensamentos geram emoções. Emoções manifestam-se em ações e atitudes que
determinam relacionamentos equilibrados ou não.
Na última década, a nossa atenção tem-se focalizado bastante na importância das emoções na nossa vida.
Aprendemos a reconhecer que existem emoções primitivas e instintivas como o
medo e a ira e emoções sociais como a vergonha ou o desprezo.
Percebemos também que as emoções podem ser simples ou, então, combinadas, o que nos oferece um cardápio extraordinariamente variado que vivemos conforme as diferentes situações da vida.
Soubemos também que as emoções geram-se a partir do corpo e exprimem-se no corpo (reações químicas geradas nas glândulas). Elas são, de fato, muito físicas e reativas, mais do que os sentimentos que são mais psíquicos e duradouros, como o amor. E também descobrimos que as emoções interferem na nossa percepção sobre a vida. Para gerar boas emoções temos que realizar uma catarse (limpeza e purificação ou libertação psíquica) nos sentimentos.
A importância da inteligência emocional é crucial para a experiência do viver, em especial nas relações com os outros. Por isso, ensinaram-nos a desenvolver a inteligência emocional para nos conhecermos melhor e adaptarmos atitudes e comportamentos que nos garantam mais sucesso na interação com os outros.
Ultimamente tenho refletido sobre outra importante capacidade que é decisiva na nossa relação com o mundo e influencia a gestação das emoções e dos sentimentos. É a percepção.
Há muito estudada, a percepção permite-nos, através dos sentidos, captar e depois interpretar o mundo. Mas o processo é complexo, pois através da percepção nós também tomamos decisões e fazemos escolhas, incluindo estilos de vida.
A percepção leva-nos, através da aprendizagem, a estabelecer visões do mundo próprias de cada cultura, de cada comunidade e de cada família.
Vem tudo isto a propósito da cultura em que estamos mergulhados e que nos adaptou às suas regras, crenças, dogmas, conceitos, etc.
Ficamos, de fato, prisioneiros da cultura que recebemos, incluindo a educação. Isto é especialmente marcante nos primeiros seis anos de vida em que somos como esponjas que absorvem tudo, o bom e o pior, e que vai constituir a nossa personalidade e marcar os nossos comportamentos.
Já adultos, mesmo na idade da sabedoria (50+), continuamos de certa forma presos a convenções, ideias e convicções que adaptamos durante a vida, muitas vezes sem um mínimo do espírito crítico do observador de si mesmo para nos ajudar a ser mais afirmativos e independentes. Muitos nos nossos atos foram aprendidos inconscientemente e reagimos da mesma forma: automaticamente.
Nisto tudo há uma prisão e obediência, mesmo julgando-nos livres, as escolhas são condicionados por aquilo que nos ensinaram. Lembremo-nos que, durante milhões de anos, as pessoas pensavam que o Sol andava a volta da Terra, todos os dias. Isso influenciava a forma como elas viviam.
São muitas percepções erradas como esta que condicionam a nossa vida. Para continuar a evoluir, teremos de nos tornar mais críticos.
Percebemos também que as emoções podem ser simples ou, então, combinadas, o que nos oferece um cardápio extraordinariamente variado que vivemos conforme as diferentes situações da vida.
Soubemos também que as emoções geram-se a partir do corpo e exprimem-se no corpo (reações químicas geradas nas glândulas). Elas são, de fato, muito físicas e reativas, mais do que os sentimentos que são mais psíquicos e duradouros, como o amor. E também descobrimos que as emoções interferem na nossa percepção sobre a vida. Para gerar boas emoções temos que realizar uma catarse (limpeza e purificação ou libertação psíquica) nos sentimentos.
A importância da inteligência emocional é crucial para a experiência do viver, em especial nas relações com os outros. Por isso, ensinaram-nos a desenvolver a inteligência emocional para nos conhecermos melhor e adaptarmos atitudes e comportamentos que nos garantam mais sucesso na interação com os outros.
Ultimamente tenho refletido sobre outra importante capacidade que é decisiva na nossa relação com o mundo e influencia a gestação das emoções e dos sentimentos. É a percepção.
Há muito estudada, a percepção permite-nos, através dos sentidos, captar e depois interpretar o mundo. Mas o processo é complexo, pois através da percepção nós também tomamos decisões e fazemos escolhas, incluindo estilos de vida.
A percepção leva-nos, através da aprendizagem, a estabelecer visões do mundo próprias de cada cultura, de cada comunidade e de cada família.
Vem tudo isto a propósito da cultura em que estamos mergulhados e que nos adaptou às suas regras, crenças, dogmas, conceitos, etc.
Ficamos, de fato, prisioneiros da cultura que recebemos, incluindo a educação. Isto é especialmente marcante nos primeiros seis anos de vida em que somos como esponjas que absorvem tudo, o bom e o pior, e que vai constituir a nossa personalidade e marcar os nossos comportamentos.
Já adultos, mesmo na idade da sabedoria (50+), continuamos de certa forma presos a convenções, ideias e convicções que adaptamos durante a vida, muitas vezes sem um mínimo do espírito crítico do observador de si mesmo para nos ajudar a ser mais afirmativos e independentes. Muitos nos nossos atos foram aprendidos inconscientemente e reagimos da mesma forma: automaticamente.
Nisto tudo há uma prisão e obediência, mesmo julgando-nos livres, as escolhas são condicionados por aquilo que nos ensinaram. Lembremo-nos que, durante milhões de anos, as pessoas pensavam que o Sol andava a volta da Terra, todos os dias. Isso influenciava a forma como elas viviam.
São muitas percepções erradas como esta que condicionam a nossa vida. Para continuar a evoluir, teremos de nos tornar mais críticos.
São muitas percepções erradas como esta que
condicionam a nossa vida. Para continuar a evoluir, teremos de nos tornar mais
críticos.
Despertar o espírito crítico do observador de si mesmo
favorece a nossa almejada EVOLUÇÃO.
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