INVEJA /
ciúme/ cobiça (?)
"Sim, sei de onde venho! Insatisfeito com a labareda, ardo para me
consumir! Aquilo em que toco torna-se luz. Carvão aquilo que abandono. Sou
certamente labareda!" Friedrich Nietzsche
Desde o início do mundo este sentimento tem invadido o
pequeno universo humano. Adão e Eva, invejosos da supremacia Divina, num
sentimento de cobiça pura nos fizeram reféns de um inferno terreno.
Poderíamos estar num paraíso, saboreando todos os
frutos do pomar do Céu, mas não, fomos lançados à condição de invejosos
eternos.
Por milênios desde que a história humana fez seus
registros encontramos desafetos buscando superar o próximo, recorrendo ao
pensamento, palavras e obras, destruindo a harmonia planetária. Invadimos mares
e terras tentando dominar mais espaço do que o Divino Criador, afinal, Ele é o
dono do universo infinito!
Que pensamento ultrajante, mas é assim a mente do animal
que surgiu no sétimo dia, o homem.
Este bicho nunca esta satisfeito. Nasce de uma mãe
amorosa, mas inveja o pai que detém o controle do lar.
Quando um irmão tem dons diferentes dos seus ele o
inveja, sendo capaz de matar, como fez Caim. – O que? O Abel tem mais atenção,
ganha mais maçãs e durante o dia cuida amorosamente dos outros animais do
paraíso, o bonzinho da mamãe! Chega, serei único, herdarei sozinho todos os
bens dos velhos!
Nossos delitos, todos tiveram início no sentimento de
insegurança e da falta de confiança em nossos próprios dons e os desatinos que nos acompanham em circuitos de desequilíbrio, advindos desta atitude mesquinha. Não
conseguimos manter nossa admiração pelo bom e belo que acompanha o caminho do
outro. Assim, usamos máscaras para permitir um convívio e perdemos a liberdade
de sermos o que nossa essência proclama.
Esta moldura muitas vezes se rompe nos mostrando a
vida, em retalhos, sempre desgastados, rotos de tanto sofrimento. Sim, porque
invejar, sentir ciúmes nos faz sofrer, criando inspiração para uma série de
ações desordenadas.
Como desmaterializar tanto absurdo?
Minha intuição me revelou uma forma:
Agradeço aos meus pais pela força do amor que os uniu
e me gerou, nasci para evoluir, desta forma vou visualizando as qualidades que os dois
possuem: inteligência, generosidade e beleza física.
Olho ao redor e admiro a mãe natureza pela fartura
das cores, flores e pessoas. Encontro meu eu verdadeiro e na visão do meu mundo particular e
familiar prossigo preenchendo o meu ser desta maravilhosa sensação de existir, pura e
simplesmente de ser e estar participando desta vida. Sou, certamente, labareda.
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