domingo, 26 de agosto de 2012

INVEJA


INVEJA / ciúme/ cobiça (?)
 
"Sim, sei de onde venho! Insatisfeito com a labareda, ardo para me consumir! Aquilo em que toco torna-se luz. Carvão aquilo que abandono. Sou certamente labareda!"  Friedrich Nietzsche
Desde o início do mundo este sentimento tem invadido o pequeno universo humano. Adão e Eva, invejosos da supremacia Divina, num sentimento de cobiça pura nos fizeram reféns de um inferno terreno.
Poderíamos estar num paraíso, saboreando todos os frutos do pomar do Céu, mas não, fomos lançados à condição de invejosos eternos.
Por milênios desde que a história humana fez seus registros encontramos desafetos buscando superar o próximo, recorrendo ao pensamento, palavras e obras, destruindo a harmonia planetária. Invadimos mares e terras tentando dominar mais espaço do que o Divino Criador, afinal, Ele é o dono do universo infinito!
Que pensamento ultrajante, mas é assim a mente do animal que surgiu no sétimo dia, o homem.
Este bicho nunca esta satisfeito. Nasce de uma mãe amorosa, mas inveja o pai que detém o controle do lar.
Quando um irmão tem dons diferentes dos seus ele o inveja, sendo capaz de matar, como fez Caim. – O que? O Abel tem mais atenção, ganha mais maçãs e durante o dia cuida amorosamente dos outros animais do paraíso, o bonzinho da mamãe! Chega, serei único, herdarei sozinho todos os bens dos velhos!
Nossos delitos, todos tiveram início no sentimento de insegurança e da falta de confiança em nossos próprios dons e os desatinos que nos acompanham em circuitos de desequilíbrio, advindos desta atitude mesquinha. Não conseguimos manter nossa admiração pelo bom e belo que acompanha o caminho do outro. Assim, usamos máscaras para permitir um convívio e perdemos a liberdade de sermos o que nossa essência proclama.
Esta moldura muitas vezes se rompe nos mostrando a vida, em retalhos, sempre desgastados, rotos de tanto sofrimento. Sim, porque invejar, sentir ciúmes nos faz sofrer, criando inspiração para uma série de ações desordenadas.
Como desmaterializar tanto absurdo?
Minha intuição me revelou uma forma:
Agradeço aos meus pais pela força do amor que os uniu e me gerou, nasci para evoluir, desta forma vou visualizando as qualidades que os dois possuem: inteligência, generosidade e beleza física.
Olho ao redor e admiro a mãe natureza pela fartura das cores, flores e pessoas. Encontro meu eu verdadeiro e na visão do meu mundo particular e familiar prossigo preenchendo o meu ser desta maravilhosa sensação de existir, pura e simplesmente de ser e estar participando desta vida. Sou, certamente, labareda.

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